Cães

Síndrome de Cushing em cães(hiperadrenocorticismo)

O excesso de cortisol produzido pelas adrenais causa mudanças que muitos tutores confundem com “coisas da idade”: barriga caída, muita sede, fome sem fim e respiração ofegante. Com diagnóstico e tratamento, a qualidade de vida melhora muito.

Rarê, Dachshund de 14 anos tratada para síndrome de Cushing
Paciente real: RarêDachshund, 14 anos

O que é a síndrome de Cushing?

As adrenais são duas pequenas glândulas perto dos rins que produzem o cortisol, hormônio essencial para lidar com o estresse e controlar a glicose e a inflamação. Na síndrome de Cushing, o cortisol fica alto o tempo todo. Existem três origens principais:

  • Hipófise (cerca de 80% a 85% dos casos): um pequeno tumor, geralmente benigno, estimula as adrenais em excesso.
  • Adrenal (15% a 20%): um tumor em uma das adrenais produz cortisol por conta própria.
  • Iatrogênica: causada pelo uso prolongado de medicamentos à base de corticoide.

Nos gatos, a doença é rara e costuma vir acompanhada de um diabetes difícil de controlar.

Sinais de alerta

  • Bebe muita água e urina muito — às vezes volta a fazer xixi dentro de casa
  • Fome exagerada
  • Barriga dilatada e “caída” (abdômen pendular)
  • Respiração ofegante mesmo em repouso
  • Queda de pelo simétrica no corpo, pele fina, pontinhos pretos (comedões) e manchas
  • Fraqueza muscular, cansaço e intolerância a exercícios
  • Infecções urinárias ou de pele que se repetem
  • Nos exames: fosfatase alcalina elevada, colesterol e triglicérides altos e glicose alta (pré-diabetes)

Como é feito o diagnóstico

Não existe um exame único e perfeito para a síndrome de Cushing. O diagnóstico combina os sinais clínicos com testes hormonais específicos:

  • Teste de supressão com dexametasona em dose baixa
  • Teste de estimulação com ACTH, também usado no monitoramento do tratamento
  • Relação cortisol:creatinina urinária, útil para descartar a doença
  • Ultrassom abdominal, para avaliar as adrenais e diferenciar a origem

Os testes só devem ser feitos quando há sinais compatíveis: exames alterados sem sinais clínicos podem levar a tratamentos desnecessários.

Tratamento

  • Medicação oral (trilostano), que reduz a produção de cortisol. É o tratamento mais utilizado, com consultas e exames periódicos para ajustar a dose.
  • Cirurgia, para alguns tumores de adrenal.
  • Radioterapia, em casos de tumores maiores na hipófise.
  • Cushing iatrogênico: retirada gradual e supervisionada do corticoide — nunca suspenda por conta própria.
  • Controle das complicações: dieta, peso, pressão arterial, gorduras no sangue e glicose.

Nas primeiras semanas de tratamento, a sede e a fome costumam diminuir; pele e pelagem melhoram ao longo de alguns meses.

Histórias de pacientes

Casos reais acompanhados pela M.V. Priscilla Bolt.

  • Rarê, Dachshund, 14 anos — paciente da Bolt Vet Care Síndrome de Cushing

    Rarê

    Dachshund, 14 anos

    Era obesa e tinha alterações nos exames hepáticos, de triglicérides e de insulina. Após dieta e tratamento para hiperadrenocorticismo, emagreceu, normalizou os exames e reverteu o pré-diabetes.

  • Marley, Lhasa Apso, 8 anos — paciente da Bolt Vet Care Síndrome de Cushing

    Marley

    Lhasa Apso, 8 anos

    Faz acompanhamento de hiperadrenocorticismo e pré-diabetes!

Perguntas frequentes

Síndrome de Cushing em cachorro tem cura?

Quando a causa é um tumor de adrenal que pode ser retirado por cirurgia, pode haver cura. Na forma mais comum, com origem na hipófise, a doença é controlada com medicação por toda a vida — e com boa qualidade de vida.

Cushing tem relação com diabetes?

Sim. O excesso de cortisol dificulta a ação da insulina e pode levar ao pré-diabetes e ao diabetes. Tratar o Cushing ajuda a proteger o pet — como aconteceu com a Rarê, que reverteu o pré-diabetes.

Meu cachorro idoso bebe muita água. Pode ser Cushing?

Pode, mas também pode ser diabetes, doença renal, infecção urinária e outras causas. Por isso a investigação começa com exames gerais e segue para os testes hormonais quando necessário.

Meu cão usa corticoide há muito tempo. Devo suspender?

Não suspenda por conta própria: a retirada brusca pode ser perigosa. Converse com o veterinário para planejar uma redução gradual.

M.V. Priscilla Bolt
M.V. Priscilla Bolt

Médica-veterinária (CRMV-SP 37.845) com residência em Clínica Médica e especialização em Endocrinologia Veterinária. Atende cães e gatos online e faz consultoria para o veterinário que acompanha o seu pet.

Conteúdo educativo, atualizado em setembro de 2026. Não substitui a avaliação de um médico-veterinário: cada pet precisa de diagnóstico e tratamento individualizados.

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